Templates da Lua

quinta-feira, 21 de maio de 2009

One Night, One God

Vida airada que levo, fui sair uma noite destas e eis que me passa pela cabeça em reencontrar alguém do passado e pensar ‘festa agora era giro e interessante’. Talvez tivesse sido giro, mas o destino trocou-me a voltas e foi tudo completamente inesperado.

Estava eu toda perinlimpipi e elegante num bar a tertuliar com uns amigos quando surge diante dos meus olhos um ser lindo, deus grego = *baba*. Fiquei perplexa, atarantada, desvairada do sistema que nem sabia para onde me havia de virar. Tremelicava de tal maneira que deixei a Roxx preocupada. Assim que consegui uma calma superficial expliquei-lhe a razão do meu estado ao qual ela me diz ‘Vai ao ataque, mulher!’ como se eu naquele estado conseguisse dizer alguma coisa interessante sem me atropelar nas letras.

Decido ficar mais uns minutos a acalmar-me e a apreciar aquele pedaço de homem que me despertou todos os sentidos do meu corpo. Entretanto apercebo-me que eu também não lhe passei de indiferente, o que obviamente me deixou ainda mais louca.

Começamos um jogo de trocas de olhares subtis, contemplando cada pedaço de corpo um do outro, cada movimento, cada gesticular de frase saída para o nada. Estava tão absorvida naquela miragem que não conseguia ouvir o que as pessoas à minha volta diziam, era completamente escusado tentarem falar comigo, não estava com capacidade para dizer uma frase com sentido sem tirar do meu pensamento aquela miragem. A troca de olhares foi-se intensificando, igualmente ao meu desejo de o poder possuir.

Decido tomar a iniciativa, mas já era tarde. Ele antecipou-se e do nada, surge à minha frente murmurando ao meu ouvido ‘Devíamos de nos conhecer’ e eu respondo já uma infinidade de intenções pecadoras ‘ Eu acho o mesmo’.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Kiss and don't tell

Toda a gente sabe que eu sou louca, sou doida, estranha, irracional quando não devo, que me deixo levar em jogos e brincadeiras que chegam a rondar a barreira do perigo. E que já grande parte das pessoas não sabe, é que, por vezes, eu abuso nesses jogos, brinco com o fogo e, no fim, queimo-me de uma forma que, realmente não estava à espera.

E se fosse apenas queimar, era uma coisa, mas a maneira como me queimo, como deixo o fogo alastrar e consumir mais e mais pele, corpo, alma, chega a ser uma coisa completamente insana, mas fabulosamente sensorial. Por outras palavras, eu gosto de me queimar, mesmo sabendo que, após o prazer louco, vem a dor ou a loucura. Sim, eu devo ser masoquista.

Sexta à noite, Le Cab, um pub do centro da cidade. Eu estava sentada numa mesa com um grupo de amigos, todos animados, apenas a "aquecer" antes de ir para a pista de dança. Havia cosmos em cima da mesa e algumas outras bebidas já quase no fim. Nós ríamos e conversávamos e implicávamos uns com os outros. A noite estava a ser fantástica.

Até que, por entre a multidão, eu vi Ari a aproximar-se. Foi completamente estúpida a sensação de butterflys no meu estômago e, como típico clichê, eu peguei no meu copo, bebi um gole do líquido vermelho e desviei o rosto para o outro lado. Há algum tempo que nós havíamos começado um jogo de troca de olhares e de provocações. O problema era que isso começava a mexer demasiado comigo, mas era tarde para desistir.

Ari cumprimentou todos os presentes e sentou-se à minha frente, com os olhos cinzentos colados em mim e aquele sorriso filho da puta nos lábios. Sabia o que se passava na minha cabeça, eu tinha a certeza disso, mas o pior era mesmo o facto de eu ser a única que via aquilo. Seria possível que mais ninguém conseguia ver o clima quente que existia entre Ari e eu? Olhei para o lado. a sentir-me uma adolescente, a perceber que o fogo estava demasiado perto e que eu ia queimar-me naquela noite. Era isso que eu vira naqueles olhos cor de prata: ambição, calor, problemas!

Mia levantou-se e puxou-me para a pista de dança. Eu agradeci por aquela escapa, mas sabia que no meio da multidão, os problemas chegavam mais rápido e de forma a que ninguém os visse. E eu não queria que eles chegassem, não assim, como uma simples aventura. Não quando eu sabia que isto era tudo menos um jogo de sedução. Havia mais... eu simplesmente sabia-o.

A confusão da pista de dança, a música demasiado alta, os corpos de encontro uns aos outros, os toques, as sensações, os sentidos e o álcool faziam aquele momento. Ari dançava atrás de mim, de costas para mim, com o corpo colado ao meu, arrepiando-me de cada vez que a sua pele tocava a minha. Em pouco tempo, eu estava completamente arrasada com aquele jogo. Eu estava queimada e queria mais, muito mais do que o que poderia haver naquela pista de dança. Segurei a mão de Ari, virando-me levemente de forma a criar contacto visual por míseros segundos, o suficiente para que percebesse o que eu lhe dizia.

Larguei a sua mão e afastei-me da multidão, saindo a pista de dança, contornando o bar e entrando no quarto de banho. Estava uma pessoa lá, a retocar a maquilhagem, prestes a deixar o cómodo vazio. Aproximei-me do espelho, apoiei as mãos sobre o balcão de mármore e suspirei. Chegara ao ponto de não retorno. Ouvi a porta a bater, indicando que a mulher que lá estava tinha saído e, após um arrepio, não me admirei de ver os olhos cinzas de Ari a encararem-me pelo reflexo do espelho. Vi o sorriso alargar na sua face e senti a forma leve como passava a ponta dos dedos sobre as minhas costas desnudas.

- Ari... - sussurrei, sem tirar os olhos do seu reflexo. - Sabes o que vem depois, não sabes?

- Há muito que deixou de ser um jogo, certo, Roxx? - murmurou, subindo a mão até ao meu ombro e virando-me para si, encarando-me directamente.

- Há muito que passou a ser um pecado - respondi, com o mesmo sorriso ladino no meu rosto, afastando uma mecha de cabelos negros da frente dos seus olhos.

Ari não respondeu, limitou-se a aproximar-se de mim, roçando os lábios nos meus, borrando o baton vermelho de propósito, afastando-se o suficiente para me olhar nos olhos e esperar uma reacção. Reacção essa que foi voltar a colar os nossos lábios, começando um beijo intenso, louco, fugaz e selvagem, que certamente iria levar a algo mais.

Abri os olhos no dia seguinte de manhã, com uma leve dor de cabeça e as imagens da noite anterior na mente. Passei uma mão sobre os olhos, sentindo mexerem-se a meu lado. Virei o rosto para o lado vendo os cabelos negros de Ari espalhados pela almofada e a estranha serenidade da sua expressão. Mordi o lábio, sentando-me na cama, e levando as mãos à cabeça. Era uma confusão enorme na minha mente e eu, lamentavelmente, não conseguia pensar ali. Levantei-me, vesti-me e, com um último olhar cobarde, sai do quarto, deixando apenas um bilhete com uma frase escrita, esperando que Ari me perdoe esta fuga.


Roxx

sábado, 9 de maio de 2009

feelings

Pah! Caralho para as crises emocionais! Fogo! Quero mimo! Quero quentinho intuitivo e transbordante! Quero muita coisa e que corra às mil maravilhas! Quero e quero e quero! E ‘cá dentro’ parece que mereço, já nem sei mas gostava que fosse verdade.

E foda-se, apetece-me dizer muita asneira, teorizar inconscientemente, dar gargalhadas autênticas, sentir-me bem dentro deste corpo e desta alma fixa e abalada; como me apetece dizer às pessoas que Gosto delas, que gostei de estar com elas, que me apetece estar de novo e que quero ir ali ou acolá, ou fazer aquilo ou isto porque me parece que sim, porque a intuição é certeira que até me mete medo e Quer!

Raios para as estas sensações me aniquilam por vezes, filhas da mãe e do pai! E para esta chuva miudinha e chatinha que me faz querer mudar os planos que insistem em não o ser. Escusado planear, não querem ser planeados. Escusado tentar dizer cenas que me passam na mente, algo não me deixa, algo me impede, mas queria muito dizê-las.


Sinto uma estranha despedida no ar, não sei porquê.


Kiss, kiss

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Antítese

Pedem-me para sorrir, mas não percebem que é um sorriso triste. Dizem que tudo vai ficar bem, mas não vêm que não vai voltar a ser como era. Não compreendem os estilhaços da minha alma, as minhas escolhas e as minhas ideias. Ficam felizes por um sonho meu destruído. Apenas vêm o lado deles. Não sabem como estou, não encaram as lágrimas invisíveis que escorrem pelo meu rosto. Não entendem a inha escolha, não acreditam que isto é apenas o fim. E dizem-se eles meus amigos!
Mas há quem saiba que estou destroçada apenas com um olhar. Há quem sinta que o meu mundo caiu apenas pela minha voz. Há quem veja a tristeza pura por detrás do sorriso perfeito. Há quem me diga "força", mesmo sabendo que lhe dói no peito, mesmo admitindo isso a mim. Há amigos que marcam e percebem, há pessoas que nos lêem a como um livro.
E esta vida está cheia de escolhas. Escolhas essas que nos trazem sentimentos de pura antítese. O sorriso no meu rosto tem um significado puro, mas as lágrimas de amargura também marcam o seu momento. É uma altura de parar ou avançar. Eu fiz a minha escolha... apenas espero ser a correcta.
Aos que me conhecem através de um olhar... obrigada. Vocês fazem o meu mundo um lugar melhor *
Roxx